Vigna-Marú   Aguarrás - pensamento em arte


 

Cinabre

Cinabre é um vermelho, um vermelho profundo, cor de sangue.

O nome químico do cinabre é sulfeto de mercúrio (HgS). A obtenção do mercúrio a partir do cinabre, descrita por Teofrasto por volta do ano 300 a.C., teve grande importância na evolução da metalurgia, por causa de sua capacidade de dar coesão a ligas metálicas. É encontrado na natureza em forma de pedra ou cristal.

Os chineses usam o cinabre para fazer porcelana há três mil anos. Já foi usado para pintar a unha de reis e como ruge e batom na corte de Cleópatra. O batom não foi uma boa idéia, já que o cinabre é venenoso se ingerido.

É também o vermelho das iluminuras das bíblias impressas por Gutemberg, os primeiros livros impressos do mundo.

Já foi chamado de sangue de dragão. Os dragões lutavam com os elefantes e, claro, sempre ganhavam. Quando os elefantes caíam em cima de uma poça de sangue de dragão, esmagavam-na com seu peso e o sangue se concentrava e virava pedra.

O Tai-Chi chama de chakra do cinabre um ponto embaixo do umbigo que, pelo que nós, leigos, entendemos, serve para a "supra-sexualidade".

A medicina chinesa usava o cinabre e o âmbar para relaxar os nervos.

Tyria jacobaeae é o nome científico da mariposa Cinabre, muito comum na Inglaterra.

O professor Adelino José da Silva d'Azevedo afirma que é do cinabre que se origina a palavra brasil. Kínnabar, kinnábari (latim cinnabar), era uma palavra celta que, no comércio com os fenícios, designava o tom vermelho de qualquer material. Forma-se da raiz kínn - que traduz a idéia de metálico e de rubro; e da partícula bar - sobre, em cima de, superior. Uma característica do celta era a próclise das partículas, em oposição à ênclise grega. Ou seja, o celta punha as partículas no fim da palavra, ao contrário dos gregos, que a preferiam no meio. Assim, kínnabar, kinnábari corresponde ao barcino, brakino, breazail. Quando, na Idade Média, o artesanato mediterrâneo passou a usar o corante vermelho vegetal, as populações ribeirinhas dedicaram-se ao comércio do pau-brasil. Portanto, o cinabre dá nome ao pau-brasil que, por sua vez, dá nome ao país.

Os totens indígenas do Pacífico deviam ser sempre, por questões religiosas, nas cores amarelo ou "vermelho sagrado", que era conseguido a partir do cinabre.

Cryptanthus cinnabar é uma bromeliácea.

Cystoderma terreyi ou Cystoderma cinabre é um cogumelo raro e venenoso.

Na arte pré-histórica, as cores foram aparecendo na seguinte ordem: primeiro o vermelho de hematita, depois o vermelho de cinabre, então o amarelo de goetita, o branco de kaolinita ou gipsita, o azul e o verde, que vieram do cobre, o ocre do óxido de ferro e, por fim, o preto do manganês ou de cinzas.

Os zapotecas também pintavam, escreviam e esculpiam vermelho com cinabre. É deles a primeira escrita das Américas.

Era também do cinabre que vinha a tinta vermelha dos grandes pintores, como Vermeer e Van Gogh. A tinta de Vermeer, para sermos sinceros, era o único fato de que tínhamos certeza antes desta pesquisa e é o verdadeiro motivador do nome da nossa empresa.